
Queria ter meu coração retirado,
Meus pulmões perfurados
E tudo o que é carne e osso
Não sendo interno como é,
Isso para que eu fosse preenchida,
De preferência com gás hélio,
Para somente flutuar
Como um fantasma sem dono.
Não, não queria morrer,
Só queria ter o suco de minha pele branca
Transformado e misturado no azul do céu
E quando fosse o momento,
Eu poderia me desmanchar em lágrimas
E ajudar na reprodução de tulipas,
Que só nascem uma vez ao ano.
Enfim, mesmo não gostando de ser olhada por todos,
Todos poderiam me ver
Não fazendo medidas sobre mim,
Mas pensando no caso
"Será que vai chover?"
Desse modo, eu bailaria pelo céu,
Fazendo do sol meu holofote,
E mostrando minhas veias,como raios
Esquecendo-me do anoitecer.
Depois, poderia ser levada pelo vento
Ou por alguma brisa, calma e justa,
Para algum lugar magnífico feito de sonhos
Onde me esconderia entre os braços feitos de neblina.
Fechando meus olhos, então,
Apenas continuaria a viver
Como se vive uma nuvem.